quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

(da minha janela - Janeiro 2012 - Canon G9)


“Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.”
Fernando Pessoa - aqui

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Há já vários anos atrás, numa tarde dedicada à fotografia e ao passeio, encontrei uma velhota numa rua dessa pequena vila onde estava e sem eu perceber como, nem qual a razão, como resposta ao meu: "olá, boa tarde...", disse-me: "jamais poderás ser feliz, jamais serás feliz enquanto não deixares que gostem de ti... e ainda antes de tudo isso, tens que começar a gostar de ti, tens que gostar mais de ti!"
Não me recordo se fui eu que me afastei, se foi a velhota que me virou costas, mas devo ter sido eu a fugir, pois lembro-me de olhar à volta, não ver mais ninguém e sentir necessidade de sair...

Ainda hoje, vários anos depois, consigo recordar a velhota, a roupa escura que trazia, os olhos verdes claros, o cabelo apanhado sob um lenço, a saca de pano que tinha na mão, as rugas carregadas e os chinelos de quarto que calçava. Mas a voz, o tom da voz e as palavras que me disse e a forma como o disse, julgo que jamais esquecerei. 
Na altura assustei-me, nesse dia senti algo que poucas vezes voltei a sentir e que não me lembro de ter sentido antes, talvez medo, insegurança, não sei explicar...
Já voltei mais vezes à vila, já passei diversas vezes naquelas ruelas, procurei saber quem seria, se seria habitual alguém interpelar as pessoas... não sei bem o que procurava, mas nunca consegui saber nada. 
Já me ri diversas vezes disto tudo, aliás conto esta história com gozo, mas o certo é que foram palavras que nunca esqueci, talvez porque no fundo, soube e senti que a senhora teria razão e sentir uma estranha descrever-me tão bem e de uma forma tão crua e sem falsos rodeios, assustou-me, acho mesmo que foi isso que mais me assustou na altura e razão pela qual todos os inícios de Fevereiro me lembro da história.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

(Bom jesus - 2012, lomo action sampler, negativo digitalizado)

Depois de meses guardada na estante, depois de um rolo exposto à luz, por nabice, sem revelar, eis que estes dias resolvi finalmente mandar revelar alguns dos muitos rolos que por cá abundam. Ao todo foram uma pequena fortuna, algo que me leva a pensar deixar de vez o mundo analógico ou então passar a dedicar-me apenas ao preto e branco e voltar a revelar cá em casa os negativos e fotografias...
Se os dias tivessem mais um par de horas e o fim de semana mais um dia, ajudava bastante, assim... é tentar fazer esticar o tempo e voltar a pegar nas "quinquilharias" e leva-las a passear...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

( pinhole 2012 - negativo digitalizado )

"When images of illuminated objects ... penetrate through a small hole into a very dark room ... you will see [on the opposite wall] these objects in their proper form and color, reduced in size ... in a reversed position, owing to the intersection of the rays". -  Leonardo da Vinci

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

(#? - Canon G9 2009? )

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Carreço - Verão de 2009?

Quem não está confuso corre o risco de estar enganado, pior, de se estar a enganar. 

(Pedro Paixão - Saudades de Nova York)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

(argus c3 - limpa e oleada, pronta ai para as curvas)

Depois de meses a prometer um "banho" de mimos, uma revisão mais cuidada e umas pingas de lubrificante, em pouco mais de 20 minutos a velhinha argus ficou pronta a sair de casa. Levou rolo novo e tudo! Espero agora que os dias frios continuem, que a chuva não apareça sem aviso e que a possa levar a passear... a vontade voltou!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"It takes absence to value presence, noise to appreciate silence, and sadness to know happiness...."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

“Não devia ter-te deixado entrar assim na minha vida, não devia. Mas não pude. Entraste em mim por assalto e foi doce resistir. Agora quero expulsar-te, e não consigo. Perdi-me em ti, por descuido. Agora não me encontro sem ti.
De tudo nada ficou como prova: nem uma linha com a tua caligrafia, nem uma fotografia em que estivéssemos os dois, nem um dos teus lenços preferidos. Por vezes julgo, enlouquecida, que nem sequer exististe
.”

Há algum tempo que não via/lia nada do Pedro Paixão, este excerto encontrei aqui. Dá-me sempre que pensar a escrita dele...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011



(Cogumelos - Novembro2011 - Fotografias tiradas com o telemóvel)

Todos os anos há noticias de envenenamentos com cogumelos, todos os anos há campanhas de prevenção, todos os anos há alertas espalhados pelas zonas onde habitualmente e com maior incidência nascem e se colhem cogumelos. Não sei nada sobre espécies, sobre venenos, sobre formas de distinguir um bom de um mau cogumelo... mas com toda a certeza, não apanhava para comer, nem tão pouco lhes tocava com as mãos, nestes dois exemplares...
São bonitos, de um vermelho vivo, lustrosos, mas são bons para serem vistos, admirados, registados em fotografia... tocar, cheirar, provar... são riscos que não corro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


(onda do mar - CanonG9)

Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar, ai
Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar
Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei
Nas águas de Dona Janaína
A onda do mar leva
A onda do mar traz
Quem vem pra beira da praia, meu bem
Nunca mais quer voltar

Adriana Calcanhotto